segunda-feira, 7 de setembro de 2026

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Endividamento das famílias brasileiras acende alerta para o orçamento doméstico.

Crédito caro, aumento das dívidas e comprometimento da renda desafiam milhões de brasileiros.

Folha Diário

Endividamento das famílias brasileiras acende alerta para o orçamento doméstico

Crédito caro, aumento das dívidas e comprometimento da renda desafiam milhões de brasileiros

O endividamento das famílias brasileiras continua sendo um dos principais desafios para a economia do país. Em 2026, o elevado custo do crédito e o comprometimento crescente da renda colocam milhões de consumidores diante da necessidade de reorganizar o orçamento e reduzir despesas.

Segundo dados do Banco Central, o endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em junho, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu 28,9%. Em relação ao ano anterior, o comprometimento aumentou 1,7 ponto percentual.

Outro indicador que chama a atenção é a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio. Em julho, 82% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, maior nível registrado pelo sexto mês consecutivo. Apesar disso, a parcela de famílias com dívidas em atraso recuou ligeiramente, para 29,8%.

Cartão de crédito é o principal vilão

Entre as modalidades de crédito utilizadas pelos brasileiros, o cartão de crédito permanece como uma das principais fontes de endividamento. Levantamento do Dieese, com base nos dados da CNC, mostra que a participação do cartão entre as famílias endividadas chegou a 84,9% em 2026.

O problema se agrava quando o consumidor não consegue pagar a fatura integral e passa a utilizar o crédito rotativo, modalidade que possui juros elevados.

Além do cartão, empréstimos pessoais, financiamentos e outras formas de crédito também pesam no orçamento familiar. Com uma parcela significativa da renda comprometida, sobra menos dinheiro para alimentação, lazer, educação, saúde e outros gastos.

Crédito caro aumenta a pressão

O Banco Central vem demonstrando preocupação com o cenário. A inadimplência no crédito livre chegou a 6,4% em julho, enquanto entre as pessoas físicas alcançou 7,8%, segundo as estatísticas mais recentes da instituição.

O cenário também começa a afetar o consumo. Dados divulgados em setembro apontaram queda de 0,4% no consumo das famílias no segundo trimestre de 2026, em um ambiente marcado por juros elevados e elevado endividamento.

Educação financeira ganha importância

Especialistas defendem que o enfrentamento do problema passa não apenas pela renegociação das dívidas, mas também por uma mudança na relação do consumidor com o crédito.

A recomendação é colocar todas as dívidas no papel, identificar quais possuem os juros mais elevados, evitar novas compras parceladas e priorizar a quitação das modalidades mais caras.

O endividamento, por si só, não significa necessariamente falta de planejamento. Financiamentos e compras parceladas podem ser ferramentas importantes quando cabem no orçamento. O problema surge quando as parcelas ultrapassam a capacidade de pagamento da família.

Um desafio para toda a economia

O elevado endividamento das famílias não afeta somente o consumidor. Quando grande parte da renda é destinada ao pagamento de dívidas, o dinheiro disponível para o consumo diminui, podendo atingir o comércio e o setor de serviços.

Diante desse cenário, a busca por crédito responsável, juros mais sustentáveis, renegociação de dívidas e educação financeira torna-se fundamental para recuperar o equilíbrio dos orçamentos domésticos.

O desafio para as famílias brasileiras é encontrar o equilíbrio entre o acesso ao crédito e a capacidade real de pagamento. Para milhões de consumidores, organizar as finanças deixou de ser apenas uma questão de planejamento: tornou-se uma necessidade para preservar a renda e a qualidade de vida.